Faculdade Rudolf Steiner

Muitos arquitetos buscam a expressão orgânica na arquitetura. Esse conceito está relacionado ao termo organismo.

Chamamos organismo tudo que tem vida, desde os seres mais primitivos unicelulares, através dos vegetais e animais, até a complexidade do ser humano. O que é um organismo? Quando podemos denominar algo como sendo um organismo? Quando possui vida, quando está em processo, ou seja, cresce e se mexe por força própria.

Tanto o crescer como o mexer podem ser enquadrados em um único conceito – movimento. A Arquitetura Orgânica procura sua expressão nesta característica da vida – o movimento. Existe, porém, um relacionamento mais íntimo entre a Arquitetura Orgânica e a vida.

Como se caracterizam as formas de um organismo? Se observarmos um cristal de rocha, por exemplo, uma composição de planos, arestas e superfícies lapidadas, podemos perceber nítidas diferenças entre suas formas, se comparadas com um vegetal. Em vez de planos retos, o vegetal mostra uma composição de convexidades e concavidades unidas e emendadas por curvas. Essas formas são inerentes à vida.

Mas o que é vida? Um seixo de rio também possui formas redondas. Estas
são resultantes do desgaste sofrido no percurso no leito do rio e da erosão contínua da água. É uma ação externa na superfície da pedra. No organismo vivo, a ação do processo que origina as formas que o caracterizam é interna. Um processo, seja ele externo ou interno, sempre se manifesta no tempo. O tempo é um fator fundamental na formação do ser vivo.

Mas o ser vivo também precisa da matéria para sua estruturação. O que é a matéria? Em sua essência, ela é superfície. A composição e configuração de suas superfícies determinam um espaço. A matéria é inerente ao espaço. Tempo e espaço formam o alicerce para a manifestação da vida.

Já vimos anteriormente, no exemplo do seixo de rio, que a incidência do tempo na matéria, no espaço, é externa, de fora para dentro. Invertendo este processo de ação, a incidência do tempo no espaço de dentro para fora, leva-nos ao conceito de vida. O entrelaçar de tempo e espaço de dentro para fora tem como resultado a vida.

A tentativa do arquiteto que se identifica com a Arquitetura Orgânica é buscar na sua forma de expressão a integração de tempo e espaço. O resultado é o movimento, é o dinamismo na composição dos espaços. Ao usuário, esta arquitetura propicia o bem estar e questões relacionadas à vida, apoiando e incentivando os processos vitais.